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Pesquisa sobre evolução da clínica pediátrica da COVID-19 é aprovada em edital da CAPES

Publicado em : 24/09/2020

A partir do estudo será possível traçar um perfil epidemiológico das crianças infectadas pelo novo coronavírus em Goiânia

Talita Prudente (Coordenação de Comunicação da PRPG)

Cientistas do mundo inteiro estão em busca de soluções para o combate e a prevenção da COVID-19. Os pesquisadores da UFG integram essa escalada e vêm se destacando nas principais chamadas de incentivo à pesquisa do país. A professora Melissa Ameloti Gomes Avelino, do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, faz parte desse time.

A pesquisa "Diagnóstico diferencial e evolução clínica pediátrica do COVID-19 no contexto da sazonalidade dos vírus respiratórios em uma capital do Centro Oeste Brasileiro”, coordenada por Melissa Ameloti, foi aprovada no edital N° 9/2020 do Programa Estratégico Emergencial de Combate a Surtos, Endemias, Epidemias e Pandemias, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoas de Nível Superior (CAPES).

O tema vai ao encontro da experiência clínica de Melissa como otorrino pediatra nas UTIs Pediátricas e Neonatais de Goiânia. A professora é doutora em Medicina (Otorrinolaringologia) e, além de pesquisadora, atua nos centros de saúde goianos Hospital da Criança, Materno Infantil e Hospital das Clínicas da UFG.

Durante os atendimentos médicos, Melissa presenciou casos graves de crianças com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) provocada por diferentes vírus como o metapneumo e o vírus da influenza. A professora esclarece que a SRAG é uma das manifestações mais temidas nos quadros de COVID-19 pois leva o paciente adulto às UTIs e, devido à escassez de estudos na área, decidiu investigar o impacto do vírus na população pediátrica nesse contexto.

A pesquisa  considera a importância das citocinas para a evolução clínica dos pacientes e pretende traçar o perfil dessa molécula nas crianças. No momento, o grupo trabalha  na coleta e análise de dados de pacientes infantis com SRAG e/ou suspeita da COVID-19 em cinco hospitais da capital (Hospital da Criança, HUGOL, HDT, HMI e HC-UFG).

Segundo Melissa, o estudo permitirá descrever com precisão os sintomas, idade, sexo, evolução e desfecho para complicações, incluindo óbito das crianças infectadas pela COVID-19 na capital. “Além de contribuir para a literatura internacional, a análise desses dados podem  direcionar políticas públicas  de saúde. Até o momento não temos esses estudos muito claros em Goiânia, por isso, muitas diretrizes são conduzidas baseadas em informações de outras regiões do Brasil”, completa.

A pesquisadora respondeu algumas perguntas referentes ao projeto em desenvolvimento e ao impacto do vírus SARS-CoV2 na população infantil do Brasil. Confira:

O que é uma citocina e qual a importância dela na evolução clínica dos pacientes com COVID-19?

As citocinas são mediadores inflamatórios liberados de acordo com uma resposta inflamatória do organismo. Este estudo possibilita a caracterização de padrões de citocinas (Th1, Th2 e Th17) inflamatórias durante o processo de infecção por COVID-19. A compreensão da dinâmica do perfil de citocinas  é fundamental para o melhor entendimento da patogênese (desenvolvimento e origem da doenças e dos mecanismos que as provocaram) e para a definição de moléculas alvos em futuros tratamentos. Elas podem ser consideradas fortes candidatas ao controle terapêutico do novo coronavírus.

Como está o andamento da pesquisa?

Estamos  aguardando a liberação da CAPES para estudarmos o perfil das citocinas nas crianças e correlacionarmos isto com o quadro clínico e com o painel viral. O que já podemos dizer é  que as manifestações graves mais importantes nas crianças com COVID-19, diferentemente dos adultos, não foram o acometimento pulmonar, mas sim a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P). Isso foi descrito pelo Royal College em abril, já alertando os pediatras sobre a possibilidade de pacientes pediátricos apresentarem aumento de marcadores inflamatórios com critérios para a chamada Síndrome de Kawasaki ou síndrome do choque tóxico, ou seja, um quadro sistêmico grave.  

Qual a sua opinião sobre a fake-news de que as crianças são imunes ao coronavírus ?

Acredita-se que a resposta da criança em relação ao adulto seja diferente devido justamente a questão imunológica. Ainda não se sabe o motivo exato das crianças serem menos acometidas porém os estudos até o momento levam a crer em algumas hipóteses: os sistemas de imunidade celular e humoral delas são menos desenvolvidos e portanto sem capacidade de resposta inflamatória exacerbada; os receptores de ACE2 são imaturos, dificultando a invasão celular pelo vírus e o uso de vacinação BCG (uma  das primeiras vacinas indicadas para o recém-nascido que protege contra as formas graves da tuberculose, pode estimular a imunidade cruzada e talvez infecções prévias pelo vírus sincicial respiratório e demais coronavírus além do SARS-CoV2.

Existem diferenças entre o tratamento de uma criança e de um adulto com síndrome respiratória grave?

O tratamento de crianças assim como de adultos vai depender da gravidade do quadro e deve-se basear no suporte adequado e tratamento das condições sistêmicas envolvidas, lembrando que pouquíssimas desenvolvem a SRAG. O quadro mais comum é o SIM-P. A grande maioria das crianças vai ser assintomática ou pouco sintomática.

Em que momento a volta às aulas presenciais na educação infantil é viável ? Devemos esperar a vacina?

É muito difícil prever o que está por vir pois com o isolamento e a parada das escolas, por exemplo, não presenciamos nas UTIs, como o usual em anos anteriores, os quadros de SRAG por Influenza (vírus da gripe). Isso aconteceu porque a campanha de vacinação este ano atingiu a população de forma mais efetiva devido o "medo da COVID-19”? Ou será que o isolamento não evitou só a circulação do SARS-CoV2 mas também de outros vírus? Sem dúvidas o isolamento evita a circulação de vírus, mas  nada adianta impedir o retorno às aulas presenciais se parques, cinemas, bares e  restaurantes continuam sendo frequentados. A falta de previsão de retorno às aulas preocupa muito também sob o ponto de vista educacional e de saúde mental das crianças e famílias. Devido a condição das aulas remotas, muitas mães tiveram que se afastar do trabalho e, além disso, vivemos em um país com diferenças sócio-econômicas tão grandes que muitos nem têm acesso à internet, o que reforça ainda mais as desigualdades sociais.

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